Empresários em Salvador praticam sustentabilidade e gastam menos

A Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA) – filiada à CNTur – e o SHRBS de Salvador e do Litoral Norte já lançaram uma cartilha que lista uma série de ações capazes de evitar gastos demasiados

Mesmo após bons números pós-carnaval, os setores de gastronomia e hospedagem de Salvador (BA) se preocupam com a recessão econômica, associado com o aumento de despesas, reajustes na água e energia em 20%, e também no ICMS do combustível. Porém, os empresários estão cada vez mais engajados a contornar as dificuldades da crise, e já começaram a praticar medidas sustentáveis, como forma de gastar menos, sem com isso, utilizar de decisões radicais, a exemplo das demissões.

Dessa forma, a Federação Baiana de Hospedagem e Alimentação (FeBHA) e o Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Salvador e do Litoral Norte já lançaram aos seus associados, uma cartilha que lista uma série de ações capazes de evitar gastos demasiados. “Nossa meta é passar por esse momento de crise continuando a exercer um serviço de qualidade, alterando algumas formas de funcionamento dos estabelecimentos, além de contribuir com a economia dos recursos naturais”, comentou o presidente da Federação, Silvio Pessoa.

A cartilha traz uma série de sugestões e mecanismos que podem, ao final do mês, render um gasto bem menor aos empresários. Entre torneiras de fechamento automático, aproveitamento de água da chuva, iluminação com lâmpadas frias, descarte correto de óleo de cozinha, desligamento de elevadores no período sazonal, e da compra e utilização de materiais reciclados, as mais de 40 opções de práticas sustentáveis podem ser adotadas, sem que haja um custo alto para o estabelecimento.

Investimento

Um desses locais de hospedagem que já incorporaram o conceito da sustentabilidade fica no bairro de Stella Mares, e, está levando a sério as novas práticas para chegar a reduzir os custos diários. Entre as medidas está o uso de gerador a óleo diesel no horário compreendido entre as 17h e 21h, para produzir a energia elétrica no local. Associado ao uso da energia solar para o aquecimento da água, o método que também tem garantido a economia de R$ 5.000 por mês ao hotel foi a substituição do gás de todo sistema de ar condicionado para um componente ecologicamente mais correto.

As medidas que estamos tomando, a princípio tem representado um gasto a mais, a exemplo da substituição no ar condicionado, porém, o retorno total do investimento, é maior, pois garante uma economia pelo tempo indeterminado. Estamos fazendo de tudo para mantermos nosso corpo de funcionário, até porque demissões podem interferir no próprio serviço prestado, algo que não queremos, visto que o hotel esteve com 100% de ocupação há tão pouco tempo”, explicou o gerente geral do estabelecimento, Francis Pointis.

Além disso, o estabelecimento criou, no ano passado, com os outros hotéis de mesma rede, uma central de alimentos, e adquiriu dois caminhões para realizar as entregas. Isso permitiu a compra dos hortifrutigranjeiros direto do Ceasa, sem a necessidade de fornecedores. A medida garantiu aos hotéis, uma economia de 42%, em relação ao que era gasto pelos estabelecimentos na compra de alimentos

A coleta seletiva também foi outra solução encontrada pelo gerente, para não desfazer-se dos 330 colaboradores que compõem o quadro de funcionários do local de hospedagem. Através de um programa desenvolvido pela própria empresa, a separação do lixo possibilita a venda desse mesmo resíduo produzido para outros fins.

Outra forma de economia, em estudo para ser incorporada nos próximos meses, em relação ao lixo é a compostagem dos resíduos, produzindo um estrume que poderia ser utilizado por produtores com adubo orgânico. Uma medida que necessita de um aparelhamento específico para a prática, mas que, de acordo com o gerente geral, pode diminuir em até 50%, os gastos com coleta de lixo pelo hotel.

Enquanto isso, o reaproveitamento da água é mais um item incorporado na economia. Assim, a que cai do céu agora é utilizada para a irrigação na praça em frente ao local. O poço artesiano, por outro lado, vai para a limpeza geral dos cômodos, enquanto que a água potável fica restrita ao uso pessoal dos hóspedes e da cozinha.

(Com informações do Jornal Tribuna da Bahia)

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